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sábado, 27 de novembro de 2010

Geocronologia

A geocronologia utilizando um conjunto de métodos de datação consegue determinar a idade de fósseis, sedimentos, rochas e diferenciar os vários eventos da história da Terra.
Se por um lado a estratigrafia e a paleontologia permitem uma geocronologia relativa a radiocronologia entre outros, permitem uma geocronologia absoluta sendo que os seguintes são utilizados consoante aquilo a que se adequam melhor:

  • Isótopo 210Pb (Chumbo-210): possibilita datar rochas com 150 a 200 anos de idade. Este caracteriza-se por ter uma meia-vida curta, e é esse factor que leva este isótopo a só puder datar rochas de tão “tenra” idade.
  • Tefrocronologia: tal como o nome indica, é o estudo das cinzas vulcânicas, está previsto que com este método se consiga datar rochas com idades iguais ou inferiores a 15 milhões de anos. São utilizados instrumentos que analisam as cinzas, detectando impressões geoquímicas.
  • Termoluminiscência: método que consiste no aquecimento da rocha a baixas temperaturas (entre os 40º e os 500º C) e em seguida na observação dos minerais que libertam uma luz como consequência do seu aquecimento. Este é um aquecimento que não pretende tornar os minerais incandescentes, mas sim observar a sua propriedade de termoluminescência. Com este método pode-se datar rochas com idades compreendidas entre os 100 e os 800 mil anos.
  • Isótopo 14C (Carbono-14) ou radiocarbono: permite datar material com alguma componente de carbono orgânico. A sua datação restringe-se a rochas com o máximo de 100 mil anos de idade.
  • Datação por Potássio-Árgon: é um método baseado no facto de que uma parte do isótopo radioactivo Potássio-40 (40K) é alterado e transforma-se num isótopo estável do gás Árgon-40 (40Ar). O Isótopo de potássio é comum em várias rochas, principalmente nas ígneas e metamórficas. Este método caracteriza-se por conseguir datar rochas muito antigas, devido à sua meia-vida. Data rochas para cima dos 100 mil anos de idade.
  • Datação Árgon-Árgon: este método funciona tal como o anterior para rochas Ígneas e metamórficas. É resultado da conversão artificial do isótopo Potássio-39 (39K) para o isótopo Árgon-39 (39Ar) que depois é comparado com o isótopo Árgon-40 (40Ar), onde se determina a proporcionalidade entre os dois e de seguida se estima a idade da amostra de onde foi inicialmente retirado o potássio. É característico por conseguir datar rochas com apenas alguns milhares de anos, não tendo a abrangia que a datação Potássio-Árgon possui.

Existem muitos outros métodos para datação das rochas, mas considero que estes sejam uns dos mais importantes e que devem ser referidos como métodos para a geocronolgia. Recomenda-se para poder obter um esclarecimento mais profundo sobre o que são os isótopos e como funciona a alteração de isótopos que leia:

  • "Química" (tradução portuguesa de Chemistry), R.Chang, Mc-Graw Hill, 8ª Edição, 2005 – capítulo 2

Referências:

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Estratificação e seus Aspectos

A estratificação é a disposição das rochas sedimentares de uma forma característica, em camadas. O seu tipo de disposição é resultado das condições de sedimentação, pois a sua variação e repetição são factores condicionantes e que levam a diversos tipos de deposição. Os estratos diferem pela cor devido a factores como a sua granulometria e composição mineralógica.
Cada estrato tem um tecto, que é a sua parte superior; e um muro, que é a sua parte inferior.
Existem vários tipos de estratificação: a estratificação gradacional, a estratificação cruzada.
A estratificação gradacional é baseada na granulometria da rocha, verificamos que o estrato tem um aumento ou uma diminuição gradual da sua granulometria quando percorremos o estrato desde o tecto ao muro, ou vice-versa.
A estratificação cruzada existe quando uma estrutura de lâminas ou camadas (sendo que dizemos lâmina para camadas de espessura inferior a um centímetro) se cruza, formando um ângulo entre as duas. Este processo ocorre sem qualquer descontinuidade a nível da deposição, e é resultado de zonas de maré em rios e mares onde a ondulação e subida e descida das marés provocam este efeito.


Os contactos sedimentares e estratigráficos podem dar-se devido a factores como a mudança da litologia, juntas de estratificação, entre outros. Estes dão origem a vários tipos de descontinuidades que se manifestam da seguinte maneira:

Estratigráfico Normal

Divide-se em dois:

·        Concordante – quando há continuidade entre unidades sucessivas;
·        Paraconformidade – quando os estratos aparentam ser concordantes entre unidades sucessivas, mas por vezes faltem diversos conjuntos líticos (ex: superfícies de erosão);

Intrusivo

Quando corpos líticos são atravessados por um corpo ígneo.

Discordante

·        Discordância Heterolítica ou não conformidade – refere-se ao contacto entre um corpo lítico e um corpo intrusivo ou metamórfico, onde não há conformidade entre os dois corpos.
·        Disconformidade – As camadas são paralelas entre si, mas estas não ocorrem conforme a estratificação.
·        Discordância Angular – quando dois conjuntos de estratos, um inferior e um superior, apresentam diferença, fazendo um ângulo entre si.

Mecânico

Falha – superfície numa estrutura rochosa onde é observado a ocorrência de uma fractura, resultando no deslocamento dos blocos rochosas dessa zona.

Deslizamento – movimento de solos ao longo de planos ou zonas de rotura.


Bibliografia:
  • TORRES, J. A. V. ; Estratigrafia, Princípios y Métodos, 1994

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Fenómenos Geológicos Instantâneos

Para poder esclarecer alguns aspectos relacionados com a formação de estruturas geológicas, referidas no último post, esta semana falaremos de excepções ao tempo geológico, aquilo a que eu optei por dar o nome de Fenómenos Geológicos Instantâneos. Embora este possa não ser o nome cientificamente mais correcto para este tipo de acontecimentos geológicos, é, na minha opinião, o que nos leva a perceber este conceito mais facilmente.
Estes Fenómenos caracterizam-se por provocarem uma rápida mudança na paisagem geológica, levando a modificações químicas e físicas da rocha.
Assim, podemos dizer que os sismos, o vulcanismo, algumas tempestades (chuvas torrenciais), avalanches, deslizamentos de terra, entre outros são fenómenos geológicos instantâneos. 
Fenómenos como o vulcanismo e os sismos, têm tanta energia que conseguem provocar uma mudança total na paisagem geológica ou mesmo, no caso do vulcanismo, levar ao aparecimento de novas paisagens geológicas (ilhas, montanhas, etc.).


As tempestades e avalanches tanto de neve como de rochedos deixam marcas nas rochas no instante em que ocorrem estes fenómenos. Tanto no caso das tempestades como no caso dos dois tipos de avalanches existentes as marcas deixadas são fracturas, mossas, e vários tipos de relevos, na maior parte das vezes, gerados pelo arrastamento de blocos rochosos que, devido à alteração sofrida, se desagregaram da Rocha-Mãe. Os deslizamentos de terra são avalanches em escala reduzida.
Fenómenos destes podem levar a excepções aos Princípios Fundamentais da Estratigrafia. Podem descobrir mais acerca dos princípios e excepções a estes, aqui.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Tempo Geológico

"Tempo Geológico?Então mas o Tempo não é igual em todo o lado? De que tempo falam aqui?",
Talvez quando olhamos para o título façamos a nós mesmos estas e outras perguntas, e se na nossa vida nunca ouvimos falar de tempo geológico então ainda outras perguntas poderiam surgir. Na verdade o tempo geológico, nada tem de transcendente, simplesmente falamos de tempo. O tempo que demora uma aula, o tempo que o autocarro demora, entre muitas outras coisas. Mas o tempo encontra-se em tudo na nossa vida. Tanto que às vezes até dizemos que temos falta de tempo para fazer isto e aquilo.
Chamamos tempo geológico, e damos-lhe esse nome quando queremos datar e relacionar camadas de rocha, isto é, quando queremos situar no tempo a formação de estratos. O tempo geológico é utlizado pelos geólogos para se poder dar uma "idade" a todas as rochas da Terra, falando de milhões de anos, pois só com o passar de milhões de anos é que registamos modificações nas rochas a nível da sua estratificação, das suas características e da sua composição. Para auxílio no estudo da idade das rochas, foi feita uma escala de tempo geológico, baseada em tudo o que já foi encontrado e analisado, isto é, baseada no registo geológico, e que utiliza principalmente, para sua construção, grandes acontecimentos geológicos que modificaram bruscamente a Geologia da Terra e que por terem sido de dimensões tão elevadas ainda hoje se consegue encontrar marcas deles em algumas zonas do mundo.
Podemos dizer então, e muito resumidamente, que o tempo geológico é tempo. E que se relaciona com a idade das rochas. Quando nos referimos a ele, referimo-nos a muito tempo...


Fig.1 Escala de Tempo Geológico (retirada de: http://www.ufrgs.br/geociencias/cporcher/Atividades%20Didaticas_arquivos/Geo02001/Tempo%20Geologico.htm)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

E assim Começa!

E assim começa... É verdade, mais uma cadeira, mais um trabalho e com bastante interesse e inovação. Começo assim mais um blogue agora podemos dizê-lo mais científico e sério. Onde tudo o que aprendo, tudo o que encontro, tudo o que pesquiso e tudo o que sei de estratigrafia, será transmitido para toda a gente, isto é, toda a gente que mostrar algum interesse. Mas... como poderia um blogue sobre Estratigrafia não ter a sua definição, então aqui a deixo:
Estratigrafia - é um ramo das Ciências Geológicas que tem como objectivo o estudo e interpretação de vários aspectos e componentes, que caracterizam as rochas, que depois de estudados e interpretados levam-nos a determinar os seus processos de formação as condições climatéricas que existiam aquando da sua formação, e principalmente levam-nos a conhecer e relacionar as diferentes unidades litológicas, tanto espacial como temporalmente, e a detectar ocorrências nelas registadas.
Todos estes processos de interpretação e estudo das rochas contribuem para a descoberta e construção da história geológica do Planeta Terra.